


A Arte da Felicidade
De modo geral, todos nós buscamos isso que chamamos de felicidade, o que é uma busca justa. A felicidade encontra-se dentro de nós mesmos, e, por isso, se encontra praticamente em todas as religiões, assim como na filosofia. Refletindo sobre o tema, surge a pergunta: somos felizes?! E o que é, de fato, a felicidade para nós? E se não somos felizes, que nos falta para sermos? Gurdjieff diz: “Feliz aquele que tem uma alma. Feliz aquele que não a tem. Infelicidade e sofrimento para aquele que só tem a semente dela”. O que isso quer dizer? Aquele que já conquistou uma alma tem uma realização espiritual, está em contato consigo mesmo, então é feliz. No outro sentido, aquele que não a tem, não almeja nada, por estar feliz dentro da realidade em que vive.
É de suma importância entender que a felicidade que é gerada por situações externas é falsa, é apenas uma ilusão. Isso significa que, de modo geral, buscamos condições externas para ficarmos felizes. Inclusive, as situações externas nos fazem sentir uma felicidade que, na verdade, é apenas uma sensação de que podemos relaxar que não há ameaças. A partir do momento que temos essa sensação, damos uma aliviada. Na verdade, ficamos com a impressão de que isso é felicidade, pois há certa felicidade nestes momentos – mas ela é passageira, fugaz. Com isso, percebemos que não somos felizes na maior parte do tempo, porque nós estamos sempre buscando alguma coisa.
Antes de tudo, devemos saber que todos os momentos de paz e de felicidade que sentimos são os momentos em que nos permitimos sentir essa paz. Às vezes, quando passamos por alguma situação externa que nos é agradável ou esperada, nos permitimos estar em paz, mas não foi essa situação externa que gerou a paz, foi alguma coisa interna que permitiu que a paz se fizesse e se estabelecesse. Contudo, o importante é permitir-se estar em paz, e se permitir ser feliz! Mas como fazemos isso? Por que não nos permitimos? A questão é percebermos a sensação de liberdade e leveza e ficarmos com elas.
Felicidade é um estado de preenchimento, não de coisas externas, mas do próprio espírito, de si mesmo. É um estado de plenitude. A felicidade vem da capacidade de viver em harmonia com as coisas (trabalho e pessoas), ter flexibilidade, adaptar-se às situações e manter estados internos mesmo diante das aparentes dificuldades externas.
É o silêncio que cria a ordem, não é o pensamento, não é o barulho, não é o conflito, não é a confusão. Como sabemos, a confusão gera desordem e caos. Então, o que nós precisamos é aprender a silenciar a mente para percebermos a nós mesmos, a realidade, para percebermos algo que nos traga paz, contentamento.
Vivemos a vida em busca de condições para felicidade, como a saúde, o trabalho, o dinheiro, relacionamentos, situação econômica do país ou a nossa mesma, etc. Somos condicionados pela ganância, o orgulho, a vaidade. Achamos que falta atingir alguma coisa para que possamos ter felicidade.
Contudo, quanto mais buscamos a felicidade, mais nos afastamos dela. A felicidade está dentro de nós. Só precisamos para gerar confusão e sofrimento. Só precisamos estar presentes e termos a paz e felicidade que nos for possível a cada momento. A felicidade está no presente. Somente no presente podemos achar algo que possa nos trazer satisfação, contentamento, paz, felicidade.
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