


A autoimagem é o que achamos que somos, é o ponto de vista a partir do qual percebemos o mundo e nos relacionamos com tudo. Esta imagem é uma ilusão que temos sobre nós mesmos. Não somos a autoimagem.
Confusos, buscando uma identidade, tentando descobrir quem somos, atribuímos rótulos a nós mesmos, nomes, aparências, papéis, títulos, posses, bens, reputação. Tentamos conhecer nossa essência através de fragmentos, quadros, recortes de realidade, percepções parciais, aspectos. Sempre que nos reduzimos a um aspecto, nós fortalecemos a autoimagem e nos distanciamos do real.
Enquanto não iniciamos um processo sério de autoconhecimento, vivemos presos em identificações e projeções, buscando referências externas, comparações, validações, reconhecimento. Sempre tentando proteger esta representação de que temos de nós mesmos. Sempre inseguros, amedrontados. Sempre precisando aparecer, nos mostrar, nos afirmar.
A necessidade de aceitação, de pertencimento, nos leva a criar uma autoimagem de acordo com os valores, expectativas e padrões dos grupos dos quais participamos.
A autoimagem é um fardo muito pesado. Precisa ser mantida incessantemente. É sustentada pelas histórias, validações, identificações, falta de observação, de presença, de consciência.
Autoestima e autoimagem possuem bases diferentes. Quando caímos nas comparações de atributos, habilidades, capacidades, quando caímos no jogo de superioridade e inferioridade, ficamos presos nas ilusões, nas convenções sociais. Quando abandonamos a busca por superioridade, o medo da inferioridade se desfaz.
Sempre vai existir alguém melhor do que nós em alguma coisa. Não há problema nisso. Não precisamos ser os melhores em nada. Precisamos apenas reconhecer, aceitar nossa realidade e nos superar sempre.
A autoestima baseada em aparência e convenções é muito frágil. A busca por aceitação, reconhecimento e superioridade mostra o quanto estamos presos à dualidade.
Para começarmos a perceber nossa verdadeira identidade precisamos nos desprender dessa autoimagem ilusória, superficial e entrar em contato com aquilo que permanece quando abandonamos nomes, histórias, papéis, títulos, aparências.
A mente é complicada, podemos abandonar uma identificação e apegar a outra mais sutil. Podemos nos desapegar e abandonar tudo que for material e construir a imagem de “desapegados”, “espirituais”, “livres”, “transcendidos”. Deixar de viver através de uma representação de nós mesmos exige atenção, observação e presença constantes.
Na vida, o que importa não é tanto o objetivo ou o resultado, mas o estado de consciência que cultivamos em cada momento.
É libertador simplesmente ser, simplesmente estar, sem se preocupar com o que os outros estão pensando de nós, sem depender de coisas externas, como posses, bens, títulos. Abandonar a autoimagem e nos conectar com isso que não muda e não depende de nada, com o espaço vazio, aberto e silencioso dentro de nós mesmos, é libertador.
Por Fabio Balota
O autocontrole é essencial no caminho espiritual. Podemos acumular conhecimento, rituais, leituras e experiências intensas, mas, se não conquistamos um certo domínio de nós mesmos, continuamos prisioneiros da mente, dos […]
A busca espiritual normalmente começa de forma séria. Na maioria dos casos, ela começa por causa de algum tipo de crise, uma perda, um esgotamento, uma doença, uma insatisfação profunda, […]
Normalmente as pessoas falam de virtudes, princípios e valores como se fossem a mesma coisa. Mas, cada um é uma coisa, cada um aponta para uma realidade, são experiências […]