

Liberte-se dos Condicionamentos
Vivemos como se fôssemos livres, mas quase tudo em nós é produto de condicionamentos. Educação, cultura, sociedade, grupos são prisões que aceitamos como normais. Desde cedo somos moldados por palavras, normas, crenças, medos, ideais, valores.
Não percebemos a profundidade desse aprisionamento porque crescemos dentro dele. Buscamos segurança, o conhecido nos parece seguro, nos agarramos aos padrões, passamos a perceber através deles.
Os condicionamentos nos limitam, nos transformam em pessoas reativas, mecânicas, previsíveis, fechadas, resistentes. Nisso, confundimos a memória com sabedoria e o hábito com escolha.
Para nos libertarmos dos condicionamentos, não adianta culparmos alguém, rejeitarmos o mundo ou lutarmos contra alguma coisa. Tudo isso são apenas formas de afirmar ainda mais o que gostaríamos de eliminar.
Para nos libertarmos dos condicionamentos, primeiro precisamos nos abrir à possibilidade de estarmos condicionados, a partir disso, precisamos observar os fluxos de pensamentos, as reações, as emoções, as mudanças de estado para percebermos como tudo nos afeta, o que acontece dentro de nós.
O pensamento é sempre velho. O tempo é a base dos condicionamentos. Enquanto estivermos presos ao tempo, não haverá liberdade. Lembranças, comparações, julgamentos, estão no tempo.
Criamos imagens do que devemos ser, de como devemos amar, de qual é o caminho espiritual, de qual é o ideal da verdade e acreditamos que são a realidade em si mesma. O ego é a acumulação dessas imagens. Ele é a essência do condicionamento. Ele é do tempo. Nós o alimentamos com cada lembrança, cada conquista, cada ressentimento.
A liberdade começa quando a necessidade de sustentar qualquer imagem cessa. Isso não é um ato intelectual. O intelecto pertence ao mesmo mecanismo que cria o problema. Sair do condicionamento é sair da mente dualista.
A transformação acontece quando compreendemos os movimentos da mente sem tentar modificá-los. Observamos, percebemos, reconhecemos. Sem o desejo de chegar a um resultado, sem o julgamento de que algo deveria ser diferente. A simples percepção dissolve o condicionamento.
Esse instante de simples percepção é um instante de lucidez, uma experiência de presença, de consciência pura, livre de análises, livre de desejos de controle. Quando a mente fica em silêncio, sem tentar controlar, sem tentar dominar, então a realidade se revela.
Mesmo uma busca espiritual pode se transformar num novo condicionamento. Quando tentamos disciplinar a mente, podemos estar apenas impondo novas formas de controle, de condicionamento. Quando criamos uma imagem do que é ser espiritual, bom, compassivo, desapegado, condicionamos o caminho. Tudo isso é uma continuação do ego sob outro nome. A mente que persegue um ideal está dividida: por um lado, o que é; por outro, o que deveria ser. Essa divisão gera conflito, e onde há conflito não há liberdade.
Procuramos sistemas de libertação, técnicas de meditação, instruções para o despertar, métodos, etapas. Práticas, técnicas, métodos são importantes, têm seu lugar. Mas as coisas verdadeiramente espirituais estão além. A verdade não é um lugar de chegada, algo definido, fixo.
A liberdade nos assusta. Buscamos segurança em conceitos, regras, métodos, autoridades, livros. O medo nos congela e precisamos compreendê-lo profundamente para podermos avançar. O medo precisa ser visto, percebido, reconhecido. Combater, lutar contra, resistir, são apenas formas de afirmar e fortalecer o que gostaríamos de superar.
A verdadeira revolução é interior. Lutar contra velhas estruturas, querer reformá-las, nos mantém presos ao mesmo modo de pensar. Lutar contra a autoridade é afirmar a ilusão da autoridade, é afirmar o modelo que dá poder à autoridade. É preciso transcender completamente o modo de pensar que produziu essas velhas estruturas, essas autoridades.
Liberdade é amor. Somente uma pessoa livre pode amar, pode permitir que o outro seja e faça o que quiser. Uma pessoa aprisionada vai querer dominar, aprisionar a outra; vai querer controlar, explorar. Um amor condicionado por trocas, interesses, não é verdadeiro amor.
Libertar-se dos condicionamentos é o mesmo que conhecer a si mesmo profundamente. É simplicidade, espontaneidade, silêncio, presença, conexão com o sagrado, com o fluxo da vida.
A liberdade está aqui, agora, em cada momento que não nos identificamos com os condicionamentos da mente, com as lembranças, os hábitos, os medos, os desejos. Está em cada instante de lucidez, de observação, de percepção clara.
Por Fabio Balota
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