


Autocontrole não é Repressão
A repressão é algo muito comum. Normalmente é imposta pela família, pela cultura, por valores religiosos. Em algum nível, todos nós sofremos com a culpa e o medo de errar.
Repressão é a negação, a não aceitação, a supressão, a rejeição inconsciente de conteúdos para evitar sofrimento. Repressão é sinal de rigidez, dogmatismo, julgamento, crítica, autonegação.
Muitas pessoas, quando iniciam um caminho espiritual ou de autoconhecimento, acabam caindo num moralismo repressivo, reprimindo ainda mais os aspectos que julgam como negativos, sufocando emoções, desejos, impulsos. A repressão cria sombras, conflitos internos, tensões, distorções, dissociações.
Desejos, emoções, não devem ser destruídos, devem ser purificados, transformados, direcionados para o desenvolvimento interior.
O caminho espiritual começa por reconhecer aspectos negativos, prejudiciais, mecânicos, e colocar consciência, atenção, razão, controle. É importante compreender que autocontrole não é repressão, que não dar vazão a tudo que surge é bem diferente de reprimir. A ação com autocontrole é uma ação consciente, escolhida com discernimento, com presença.
O autocontrole é uma grande transformação interna. É deixar de ser escravo, de ser vítima. É parar de reagir automaticamente o tempo todo. É deixar de ser arrastado por tudo que surge interna e externamente, pensamentos, emoções, situações. É assumir a responsabilidade pelo que se pensa, sente, diz ou faz.
O autocontrole é fruto da lucidez, do discernimento, do estado de presença. O autocontrole leva à liberdade, pois nos permite escolher a partir de nossa consciência, não a partir do medo, da culpa, da pressão externa, da falsa moralidade, da opinião dos outros.
Autocontrole não é desejo de controle. O desejo de controle nasce do medo e da insegurança. O autocontrole é expressão do desejo de autoconhecimento, desenvolvimento espiritual, consciência. O autocontrole leva à liberdade interior, à paz, à autoconfiança.
Para desenvolver autocontrole é necessário disciplina. O autocontrole é um grande exercício de vontade. O desenvolvimento da vontade é um aspecto essencial desse caminho de autoconhecimento. A vontade é uma das faculdades da alma. Nessa jornada, são necessários superesforços para nos controlarmos, para não expressarmos emoções negativas, para dominarmos as paixões, os impulsos. O esforço consciente em nos observarmos, nos conhecermos, nos transformarmos, nos fortalece, fortalece a vontade.
O caminho é o equilíbrio entre controle e espontaneidade, entre firmeza e liberdade, entre vontade e coração, sensibilidade. A razão e a vontade devem orientar o coração, não sufocá-lo.
Quando a vontade sufoca o coração, surge a rigidez, o fanatismo, o extremismo; quando o coração sufoca a vontade, surge a instabilidade emocional, a desorientação. Controle sem espontaneidade leva à dureza, à frieza; espontaneidade sem controle leva à imaturidade, à fuga da responsabilidade.
O processo de autoconhecimento, o trabalho sobre si mesmo, é sempre feito no encontro entre esforço e aceitação.
Por Fabio Balota
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