

A Ilusão da Zona de Conforto
Vivemos buscando zonas de conforto, queremos controle, estabilidade, segurança nas relações, no trabalho, na espiritualidade. Queremos uma situação sem perturbações, conflitos, contrariedades, tensões, pressões, exigências, exposições, riscos. Tememos sofrer. Mas a chamada ‘zona de conforto’ não é um refúgio, mas uma prisão invisível.
Esse conforto que buscamos é uma estagnação, uma negação da vida, não é verdadeiro equilíbrio, verdadeira estabilidade. O conforto que encontramos é ilusório, pois no fundo estamos sofrendo.
Temos receio de tentar algo novo, de encarar conversas difíceis, de encerrar relações que já morreram, de mudar de trabalho, de nos expormos. Preferimos a segurança do conhecido a qualquer possibilidade de mudança, de melhora.
O medo da dor, do arrependimento, do fracasso, nos congela. Enquanto o medo e as projeções do que pode dar errado forem mais fortes do que o desejo de mudança, de transformação, de crescimento, do que as imagens de felicidade, sucesso, nada irá mudar.
O medo de sofrer num futuro imaginário nos impede de perceber o sofrimento no presente. Sofremos nas situações. Sofremos com o medo e a incapacidade de mudar. Mas não percebemos que estamos sofrendo. Acreditamos que estamos em uma zona de conforto.
Queremos uma vida sem conflito, mas sem conflito não há amadurecimento. Todo crescimento, toda mudança geram algum desconforto.
Ao fugirmos da dor, produzimos mais dor. Ao fugirmos do desconforto, ampliamos o desconforto existencial. A busca de segurança gera insegurança. A verdadeira segurança não vem de uma vida sem mudanças, mas da capacidade de atravessar as mudanças, de suportar as contrariedades. Abrir-se para a vida e aceitar a insegurança é o que traz segurança.
Querer ficar para sempre na zona de conforto é desistir de nossos sonhos, de nós mesmos, da vida. A zona de conforto nos deixa frágeis, porque qualquer abalo externo destrói nossas bases.
Somos do tamanho de nossos sonhos. Quando reduzimos nossos sonhos a objetivos modestos e seguros, fechamos as portas da imaginação e deixamos de crescer, de evoluir.
O medo da vida nos impede de viver, pois viver implica estar aberto para o que a vida pode nos trazer, o inesperado, o incerto, as perdas, os confrontos, a felicidade. Momentos desagradáveis, desconfortáveis, vão acontecer.
O caminho espiritual não é compatível com uma vida de conforto. Se realmente queremos nos desenvolver espiritualmente, precisamos aceitar viver sempre pelo menos um pouco desconfortáveis. Isso não significa viver em sofrimento constante. Significa viver em estado de auto-observação, questionando constantemente a realidade e a nós mesmos.
Viver desconfortável, nesse sentido espiritual e psicológico, é olhar para nossos limites, nossas fraquezas, dificuldades e buscar a superação constantemente, aceitando os desafios que a vida nos traz. É abrir mão do desejo de controle. É admitir erros, pedir perdão, corrigir rotas. É fazer o que é necessário mesmo quando não queremos, quando estamos cansados ou com preguiça. É priorizar o essencial em vez do que é fácil.
A disposição de conviver com o desconforto muda a forma como nos relacionamos com o medo. Precisamos aprender a caminhar com medo, com incerteza, com dor, sem nos acovardar e sem nos deixar paralisar. Precisamos aprender a não nos identificar tanto com as situações e a nos reorganizar internamente conforme o externo muda.
Por Fabio Balota
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