

A Coragem de Estar Só
A sociedade contemporânea é marcada pela cultura do desempenho e da conectividade constante, instantânea. A solidão é vista como patologia ou sinal de fracasso. As pessoas estão muito voltadas para o exterior, para as coisas materiais, sentem a necessidade de pertencimento, a necessidade de serem vistas, aceitas, reconhecidas, precisam parecer ter sucesso, estar bem, ser feliz. Essa situação leva à desconexão consigo mesmo, à falta de significado, ao estresse, à ansiedade, à depressão.
Nessa sociedade louca, as pessoas riem e até ficam felizes por precisarem fazer terapia, por precisarem tomar remédios para estresse, ansiedade, depressão.
As pessoas querem viver essa agitação, esse embotamento. Elas têm medo de estar sós, pois isso as leva ao contato consigo mesmas, com o vazio e a dor, obrigando-as a ver coisas que não gostam e não querem ver em si mesmas.
A solidão é um sentimento de vazio e desconexão. Algumas pessoas podem sentir solidão mesmo estando em volta de outras pessoas. Outras pessoas buscam isolamento por serem incapazes de se relacionar, de serem confrontadas, mas ao mesmo tempo sofrem com a solidão. Outras ainda permanecem em relacionamentos tóxicos por causa do medo da solidão.
Por causa do medo da solidão as pessoas mentem, adotam crenças e valores que não são seus, vivem relacionamentos superficiais para evitar conflitos, usam máscaras e verniz social para agradar, se esforçam para manter as aparências.
A solidão é uma ilusão, ela não surge da ausência de outras pessoas, surge da falta da conexão conosco mesmo.
O caminho espiritual não é um caminho para agradar os demais e ser aceito. Entrar no caminho espiritual está muito relacionado a abandonar o sistema, os costumes e padrões da sociedade, deixar de ser dependente. Por isso, quando entramos no caminho, paramos de fazer e falar coisas que as pessoas estão acostumadas e esperam de nós. Evitamos alguns tipos de companhias e ambientes. Com isso, as pessoas se afastam, nos criticam e nos acham estranhos. Por isso, o buscador precisa estar preparado para a solidão.
É preciso coragem para estarmos sós e olharmos para dentro de nós mesmos. É muito importante reservarmos momentos de recolhimento onde estejamos livres das distrações exteriores, da agitação, do barulho, para nos dedicarmos à reflexão, ao processo de autoconhecimento, ao contato com o sagrado, ao silêncio.
Aprender a estar só não é fácil. Mas, se não formos boa companhia para nós mesmos, não seremos boa companhia para ninguém. Através do processo de autoconhecimento, conforme desenvolvemos autoconfiança, autoestima e aceitação, vamos aprendendo a ficar bem sozinhos, a ficar bem conosco mesmos.
Conforme nos libertamos das comparações, das competições, da necessidade de agradar aos outros, da dependência da opinião dos outros, dos condicionamentos sociais e culturais que moldam nossa percepção, passamos a ser capazes de nos relacionar sem medo. Então podemos ser mais autênticos, espontâneos.
O equilíbrio entre a solidão e o relacionamento é fundamental.
Por mais que se tenha avançado no processo de autoconhecimento, momentos desagradáveis, momentos de dor e sofrimento, momentos de solidão irão surgir. Quando a solidão aparecer, esteja presente e observe-a sem se desesperar, sem tentar fugir. Observar desse modo é acolher a solidão.
A coragem de estar só é a coragem de olharmos para dentro de nós mesmos, com nossos pontos fracos e fortes, nossos defeitos e virtudes. A coragem de estar só é a coragem de nos tornarmos independentes, de abandonarmos as coisas externas, os falsos valores e tudo aquilo que nos distancia de nós mesmos.
Por Fabio Balota
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