

A Lei da Entropia
A Lei da Entropia é um princípio de decadência, nivelamento e desgaste que afeta tudo o que existe, tanto no mundo exterior quanto na vida interior, nos estados psicológicos, nas emoções, na capacidade de percepção.
Sem um esforço deliberado em direção ao desenvolvimento da consciência, somos tragados pela inércia e pelo declínio. A existência física tende à repetição, à estagnação, à perda de sentido.
A entropia nos induz ao piloto automático, à mecanicidade, à inconsciência, ao sono. Sem esforço constante e vigilância, a aspiração e o impulso de crescimento correm o risco de dispersar-se entre a distração, a dúvida, a indolência.
Tudo o que não se transforma, definha. Se não nutrirmos nossas ideias, emoções, motivações, aos poucos, elas se desintegram. Cada momento de distração amplia a mecanicidade. Onde não há direção consciente, cresce a confusão, a dúvida e somos arrastados, sem opção de escolha. Não basta querermos nos desenvolver em algum sentido; precisamos trabalhar incessantemente para vencer a tendência à entropia.
A entropia se expressa no esquecimento de nós mesmos e do sagrado, na preguiça, no cansaço, na apatia, na banalização, nas justificativas e histórias que contamos para nos enganar: “estou cansado”, “amanhã eu recomeço”, “eu mereço isso”, “todo mundo faz”. Somos dominados pela entropia sempre que aceitamos o menor esforço, sempre que desistimos de nossos objetivos e de nossos sonhos, sempre que deixamos de questionar nossos impulsos automáticos.
Vencer a Lei da Entropia exige de nós a constante superação de nossos limites e condicionamentos. A cada instante estamos diante da escolha de nos deixarmos arrastar pela entropia ou de buscarmos um sentido mais profundo da vida.
Entrar num caminho espiritual, permanecer nele e continuar avançando não é fácil. O mundo está sempre querendo nos puxar para as coisas comuns, para a superficialidade, para a repetição vazia das mesmas coisas. Se não estamos atentos, somos arrastados por compromissos, obrigações, redes sociais, superficialidade e logo esquecemos de nossos objetivos, de nosso caminho. Podemos nos perder mesmo com compromissos e obrigações aparentemente espirituais. Podemos nos perder nos produtos e fantasias espirituais. Atualmente é mais difícil reconhecer que fomos arrastados pela entropia, porque quase sempre parece que estamos fazendo algo útil, produtivo, necessário.
Grupos espirituais podem alimentar a entropia quando direcionam as pessoas para a obediência cega em vez da responsabilidade interior, quando transformam o caminho em identidade de grupo, bandeira.
Quando a principal preocupação passa a ser pertencer, estar do lado certo, repetir a narrativa aceita, o grupo se sectariza, se fecha, endurece; nesse ponto deixa de favorecer o questionamento e passa apenas a repetir fórmulas, defender ideias e formas rígidas, tornando-se veículo da entropia e não do despertar.
Não responder a todas as demandas do mundo moderno é um desafio, um esforço para não sermos arrastados. O trabalho para despertar é um trabalho contra a entropia.
Quando começamos a deslocar a energia psíquica das coisas do mundo para a atenção a nós mesmos, então um espaço para o trabalho interior começa a surgir, a se expandir.
Por Fabio Balota
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