


Por Onde Começar o Autoconhecimento
Na grande maioria das vezes, é o sofrimento, a dor, a angústia, o conflito, a insatisfação, que nos levam à busca de autoconhecimento. Assim, normalmente, é por aí que devemos começar: pelo que nos angustia agora, por aquilo que nos incomoda, pelas dores.
O processo de autoconhecimento começa por reconhecer que não nos conhecemos de fato. Não sabemos nada sobre a experiência de sermos nós mesmos, a experiência de viver, de nos relacionar, pensar, lidar com as memórias, as emoções, os sentimentos. Enquanto acreditarmos que nos conhecemos ou enquanto nem imaginarmos a possibilidade de nos conhecermos e seus benefícios, as portas estarão fechadas para nos descobrirmos e nos desenvolvermos.
Esse caminho começa exatamente onde estamos, com a percepção clara de como somos agora, e se expande na direção de como desejamos ser. Assim, o primeiro passo é a autoavaliação, que começa pela disposição de questionar, pela coragem de olhar com honestidade e profundidade para nós mesmos, investigando, reconhecendo nossas ações e reações, emoções e sentimentos, valores e crenças, pontos fortes e fracos, vícios e hábitos, medos, mecanismos de defesa, fragilidades e carências.
É importante começarmos a questionar por que sentimos o que sentimos; por que pensamos como pensamos em determinada situação; por que damos importância a uma coisa e não a outra; por que reagimos como reagimos, o que nos move; por que desejamos o que desejamos ou rejeitamos o que rejeitamos; por que buscamos ou evitamos o conflito.
O autoconhecimento é, essencialmente, um exercício de constante questionamento e reflexão. Devemos questionar nossos próprios pensamentos, nossas certezas, nossas verdades, nossos julgamentos: tudo aquilo em que acreditamos sobre nós, sobre os outros, sobre o mundo.
Autoconhecimento não é definir ou rotular: “eu sou assim”, “eu sou assado”. Não basta saber: “sou ansioso”, “sou inseguro”, “sou controlador”, “tenho dificuldade com rejeição”. A percepção de como somos no momento é importante: é o ponto inicial, não o final.
É necessário parar de tomar tudo como verdade, como algo concreto e imutável. Abrir-se às possibilidades de desenvolvimento, mudança, elevação e transformação é um bom começo.
Reconhecer e aceitar é o começo do processo. Se não reconhecermos ou não aceitarmos nossa realidade no momento, não poderemos fazer nada.
Assim que tivermos algum ponto claro sobre o qual queremos trabalhar, então devemos estudar sobre o assunto. Ler e assistir a palestras sobre o tema que estamos trabalhando enriquece nossa investigação interna, traz ideias e pontos de vista que abrem nossa imaginação, expandem nossos horizontes e ampliam nossa consciência.
É importante focar em aspectos concretos e relevantes para nossa vida para não nos perdermos em abstrações, que são apenas outra forma de fuga e de resistência. A mente se esconde atrás de rótulos e conceitos bonitos, para não ter que olhar para o que é desagradável, desconfortável. Podemos conhecer muito sobre espiritualidade, psicologia, filosofia, sem nunca termos olhado para um dos nossos medos, uma das nossas dores concretas. Podemos dizer que temos raiva de forma genérica, sem nunca olharmos para um ponto específico e buscarmos mudar.
Precisamos, então, nos tornar observadores de nós mesmos. Observar nossos pensamentos, nossos diálogos internos, nossos padrões emocionais. Observar como reagimos em nossos relacionamentos, como lidamos com o desconforto, com a crítica e o elogio, com a rejeição e a aceitação, com a frustração e a realização, com a perda e a vitória. Observar nossos medos, nossa dificuldade com a vulnerabilidade, nossa tendência a controlar, agradar ou nos proteger constantemente. Precisamos observar, registrar, e depois refletir e investigar cada ponto.
Outro ponto importante é conhecer as ferramentas. A meditação é um caminho essencial para silenciar a mente e cultivar a presença, o que possibilita a observação sem julgamentos, a não identificação com as histórias. A astrologia, os temperamentos, os testes de personalidade, o eneagrama, a roda da vida, são ferramentas que trazem pontos de reflexão que nos ajudam a reconhecer padrões e tendências. A partir daí, podemos meditar sobre cada aspecto, observando como ele se manifesta no dia a dia e buscando compreender suas raízes e consequências.
Manter um diário com pensamentos, situações, experiências e reflexões, pode ser uma ferramenta para observar padrões, organizar ideias e acompanhar nosso desenvolvimento ao longo do tempo. Além disso, escrever é terapêutico: quando colocamos para fora, vemos com mais clareza.
A terapia também pode ser um ótimo início e uma grande aliada para toda essa jornada. Nem sempre conseguimos fazer isso sozinhos. Ter alguém preparado para nos espelhar, nos provocar, nos acolher e nos ajudar a ver aquilo que não conseguimos ver sozinhos, pode ser a diferença entre ficarmos anos travados, girando em círculos ou, finalmente, atravessarmos os bloqueios, vencermos as resistências e acessarmos camadas mais profundas de nós mesmos. A terapia pode ser um espaço de investigação, de compreensão e de reconexão.
Não importa se começamos pelas dores atuais, pelos testes de personalidade, pela astrologia, pelo eneagrama, pela roda da vida, pela terapia, pela meditação, pela auto-observação ou pelo diário. Todos representam uma abertura para nos descobrirmos, para nos desenvolvermos. Então, o que importa é que comecemos e que estejamos dispostos a não parar. O caminho se revelará na medida em que caminhamos.
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