


Despertar da Consciência: A Desconstrução das Ilusões
O processo de despertar da consciência é essencialmente um processo de desconstrução das ilusões que temos sobre o que é a realidade e sobre quem nós somos.
A desconstrução das ilusões é um processo de transformação da percepção. A ilusão do eu permanente é a ilusão a partir da qual surgem as demais ilusões. Não existe um eu que desperta. Existe um despertar da ilusão de um eu. O ego é apenas uma história, uma construção mental. Não somos o ego, o nome, o corpo, a história. Ao mesmo tempo, em um nível, também somos tudo isso.
O fluxo incessante de pensamentos é um grande obstáculo para o despertar. Mas existem vários outros como a ilusão de que estamos despertos, a ilusão de que estamos percebendo a realidade como ela é, a ilusão de que temos concentração, autocontrole, capacidade de escolher o que pensar, sentir ou fazer.
Pode parecer bonito, pode até ser fácil de entender intelectualmente a ideia do despertar, do não-eu, do não-dual, do vazio. Mas, enquanto existir um eu, ele sempre irá distorcer as ideias e se crer alguma coisa. Os conceitos, muitas vezes, se tornam obstáculos.
A desconstrução das ilusões não é um processo fácil. Sair das identificações com o ego, com as histórias, com as ideias e coisas que formam nossa base e nos dão segurança é um processo doloroso. Abandonar uma identificação é como abandonar uma parte de si.
O difícil é abandonar o que estamos apegados. Se investigarmos os nossos apegos, veremos o quanto é difícil abandonar algo com que estejamos identificados, sejam pessoas, crenças, títulos, objetos materiais. É nesse momento que vemos nossa situação real, o quanto estamos ou não despertos.
Ao observarmos com o que sofremos, podemos ter uma noção de onde nos encontramos nesse processo de despertar. Se sofremos com coisas comuns, com coisas do ego, da história desse eu existencial, com o que os outros dizem ou pensam, com o que vai acontecer, é nesse nível que estamos.
Toda estrutura da sociedade, do processo de aprendizado, nos mantém adormecidos, presos em padrões, condicionamentos, construções mentais. As pessoas buscam a felicidade pelas ideias de sucesso, títulos, beleza, bens, reconhecimento, liberdade, que a sociedade impõe.
Não percebemos a realidade como ela é, percebemos a realidade a partir de nosso conteúdo interno, nossa natureza, nível de consciência, conceitos, experiências, memórias, projetados no mundo e achamos que nossa percepção é a realidade, independentemente de qualquer coisa.
O despertar não é a adição de alguma coisa. É um processo de esvaziamento. É a
desconstrução de tudo aquilo que se imaginava ser verdade. Despertar é perceber além dos padrões e condicionamentos, além das projeções e identificações, além da dualidade.
Quando as ilusões começam a cair, surge uma desorientação, perdemos os referenciais, as bases e não sabemos mais quem somos. Tudo aquilo que nos movia e motivava perde sua importância, seu significado ilusório, fantasioso. Se nos desesperamos e buscamos nossas bases, nossas referências, significa que não estamos prontos, não temos a estrutura para o processo, então voltamos para as ilusões, para o estado anterior que nos dava segurança. Porém, se nos entregamos ao processo, se nos abrimos ao vazio, ao fluxo da vida, sem tentar nos agarrar ou fixar em nada, então avançamos.
A desconstrução das ilusões não significa cair num vazio ou numa desesperança, mas sim sair da percepção dualista para percepção não dual e entrar em contato com o fluxo da vida, com o sagrado, o divino.
Por Fabio Balota
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