

Os Mais Ocultos Lugares
A Páscoa judaica representa um momento do caminho diferente da Páscoa cristã. A Páscoa judaica é a entrada no Albedo, o nascimento do Cristo. A Páscoa cristã é o processo de Rubedo, morte e ressureição.
A quaresma, esse período que antecede a Páscoa, esses quarenta dias simbólicos, representa todo o período até a Páscoa, que pode durar anos. A quaresma é tempo de recolhimento, reflexões, renúncias, esforços, sacrifícios, práticas espirituais. A quaresma é uma noite.
Tomando esse período como o período que antecede a entrada no Albedo, esse é o período mais difícil, mais trabalhoso, duro, sofrido. É preciso morrer.
Todos nós conhecemos o processo de purificação, o processo de morte mística. Nós nos esforçamos nesse processo. Muitas vezes, trabalhamos os defeitos como se fossem coisas externas. Os anos passam. Morremos para muitas coisas. Morremos em algum nível. Nós avançamos como podemos.
Depois de um tempo, de avanços, mortes, transformações, podemos perceber que ainda falta alguma coisa. Isso pode não ser claro num primeiro momento, pode ser apenas uma angústia. Mas, depois, percebemos que precisamos morrer, que nós mesmos precisamos morrer, e isso é muito difícil. Mas, precisamos morrer para renascermos.
Algumas das coisas para as quais precisamos morrer são a doutrina, as práticas. Depois de muitos anos de práticas, estudos, vivências, deveríamos ter nos tornado independentes de tudo isso. Mas quando se fala qualquer coisa, quando surge algo, nós queremos correr para o que é seguro. Com isso mostramos nossos apegos, carências, fragilidades, dependências.
Nós dizemos que queremos o caminho, a iniciação. Pedimos pelas provas. Mas quando as provas vem, nós fugimos, nos desesperamos, nos revoltamos, buscamos segurança. A Divindade manda as provas, mas se rejeitamos várias vezes, ela entende que não queremos e para de nos colocar à prova.
Nós falamos muito de alguns contos que falam de abandonar o barco depois de atravessar o rio, de soltar a moça depois de ajudá-la a atravessar, de aprender a técnica, dominar a técnica e esquecer a técnica, de limpar o espelho, polir o espelho e quebrar o espelho.
Nós falamos de tudo isso, mas nos apegamos, não queremos morrer. Mas precisamos morrer para renascer e assim podermos encontrar o mestre, a doutrina, as práticas em uma nova realidade, em um novo nível. Não se trata de abandonar, rejeitar ou virar as costas. A questão é entregar-se, jogar-se, atirar-se nessa noite, nesse desconhecido. O novo nível só surgirá depois disso.
Em algumas atividades dizemos: santo e bendito seja teu nome impronunciável, agora que revelou o sagrado mistério da letra, eu entretanto, prosseguirei para mais ocultos lugares. Nós repetimos isso inúmeras vezes, mas quando somos chamados aos mais ocultos lugares nós vacilamos.
O convite está aí, caminhemos juntos para os mais ocultos lugares.
Por Fabio Balota
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